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Retratos de Mim

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A Blogger

22
Abr17

A minha primeira químio


A Ribatejana

 

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Estamos no começo de Abril, mês do inicio da quimioterapia, soubera antecipadamente que iria fazer seis sessoes, três vermelhinhas e três brancas, fora também informada que para além da perca do cabelo, poderia sentir náuseas, e que as minhas defesas iriam baixar, razão pela qual faria sempre análises, à véspera de cada sessão.  

Chegou finalmente o dia mais temido para mim, a primeira quimioterapia, não há como fugir disto, mas no fundo sinto que não quero fugir, o medo da morte é maior, a cura está naquele tratamento, tenho que acreditar.

Lembro-me de entrar no hospital de dia e uma enfermeira pergunta-me com voz afável, se era a minha primeira vez ali, respondi que sim com voz trémula, ao meu lado a minha mãe parece subitamente mais envelhecida, está imóvel, demasiado quieta, demasiado calada, sinto que se lhe falar se desmanchará em soluços, por isso e apesar do medo, aguardo silenciosa que me injetem a droga mágica, aquela que apesar de me matar a alma e moer o corpo, irá sem dúvida ser a minha salvação. Passou uma hora e meia, tudo terminou, a meu lado um aparelho apita com insistência, anuncia o fim da primeira vermelhinha, incrivelmente não me sinto mal, aliás não sinto absolutamente nada, decido por isso almoçar ali mesmo, num dos pequenos bares do IPO.  

 A noite chega e com ela a náusea, a dor e a vontade de chorar, caramba! Isto afinal custa muito, passo os três dias seguintes sem conseguir comer mais nada, para além de fruta da época e carnes grelhadas, estranho! Mas ainda hoje e passado quase um ano, não suporto nem o cheiro de febras grelhadas.

Estamos no quinto dia após a químio e pouco a pouco, tal como um passarinho, espreito para fora do ninho, decido que consigo ir até à cozinha almoçar com a família, assim faço, mas as conversas parecem-me todas sem interesse, aliás nada me importa a não ser a ideia de voltar para a cama e dormir, evadir-me de novo no esquecimento do sonho, assim faço.

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